quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

...blasted...

...aminetu haidar...

"Existe um território africano que ainda permanece colonizado. Está a sul de Marrocos, a escassos quilómetros da costa algarvia. É um país emerso na areia do deserto, um dos mais despovoados do mundo e chama-se Sahara Ocidental.
Dominados por Espanha até 1975, os sahauris proclamaram nesse ano a independência mas os Acordos de Madrid entregaram a determinação do país a Marrocos e à Mauritânia. Em 1979, a Mauritânia abdicou da sua parte do território mas o exército marroquino anexou o país e fixou-se no Sahara Ocidental até aos nossos dias. A guerra entre a movimento da Frente Polisario, que defende a auto-determinação da RASD (República Árabe Sahauri Democrática), e o reino marroquino, dura há 33 anos. Um conflito surdo e mudo que, ocasionalmente, faz soar minas e metralhadoras para despertar a atenção do mundo. A Polisario pede o referendo, Marrocos defende o direito de controle da região. Muitos especialistas em direito internacional traçam um paralelismo entre a anexação de Timor-Leste, pela Indonésia, e do Sahara Ocidental, por Marrocos.
No Sahara Ocidental foi construído um dos muros mais vergonhosos dos nossos tempos, com mais de 2000 quilómetros de betão ao longo de um campo de areia minada, dividindo os dois terços de território regidos por Marrocos da parcela libertada pela Polisario. Mais de 150 mil sahauris foram obrigados a esconder-se na Argélia e vivem hoje no campo de refugiados de Tindouf, considerado por António Guterres, Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, como um exemplo de organização em acampamentos de expatriados.
Este muro, minado de ponta a ponta e de ponta a ponta vigiado por milhares de soldados, mede 60 vezes mais do que o Muro de Berlim.
Por que será que há muros tão altissonantes e muros mudos?
Foi neste mundo hostil que Aminetu Haidar cresceu, em El Aaiún, capital do Sahara Ocidental. Haidar foi pela presa pela primeira vez em 1987, por se manifestar contra a ocupação marroquina durante uma visita da ONU ao país. Durante quatro anos, a sahauri foi torturada e humilhada nas celas sórdidas de El Aaiún, apelidada de “Prisão Negra” por todos aqueles que tiveram a má sorte de por lá passar. A activista passou quase quatro anos de olhos vendados, sozinha, foi brutalmente espancada e torturada para confessar a prática de acções de terrorismo que a condenassem a um julgamento legítimo. Em vão. Haidar é uma pacifista e não cedeu. Após a libertação, continuou a organizar manifestações pacíficas e greves de fome para alertar a opinião pública da repressão sentida pelos sahauris. Ao contrário de Xanana Gusmão, Haidar tem lutado sem armas. Isso já lhe valeu o cognome honorário de “Gandhi Sahauri” e vários reconhecimentos internacionais: Prémio Coragem Civil 2009 (EUA), Prémio de Direitos Humanos Robert F. Kennedy 2008 e Juan Maria Bandrés (Espanha).
Na passada sexta-feira, Haidar, casada e mãe de dois filhos, voltava para El Aaiún depois de uma conferência nas Canárias. À chegada ao aeroporto do deserto, recusou declarar-se marroquina. A polícia levou-a para uma pequena sala do aeroporto, desapropriou-a do passaporte e do telemóvel, disparou centenas de flashes em direcção aos seus olhos fragilizados por quatro anos de escuridão e expatriou-a para Lanzarote, Espanha. No domingo, Haidar entrou novamente em greve de fome. Quer voltar ao seu país mas está impedida de fazê-lo pelas autoridades espanholas e marroquinas. O caso já está a provocar uma onda de solidariedade por todo o mundo.
O problema dos sahauris, que se arrasta há mais de três décadas, não parece preocupar os diplomatas e políticos portugueses que tanto lutaram pela causa timorense. Pelo contrário, Portugal está inserido no programa de colaboração da União Europeia com Marrocos que permite aos arrastões europeus pescar nas ricas águas do Sahara Ocidental. Haidar continua a sacrificar-se para entregar aos sahauris o peixe das suas águas, para permitir aos refugiados de Tindouf o regresso à sua terra e para levar aos tribunais todos os torturadores dos activistas sahauris. O referendo já esteve iminente por duas vezes, mas Marrocos não aceitou os termos do sufrágio." Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental

...já não ligo a televisão há sete dias...


...o contrapasso...

"Bertran de Born, o poeta provençal do século XII, que leva numa mão a sua cabeça decepada, pegando nela pelos cabelos, e a faz balouçar como se fora uma lanterna – seguramente uma das imagens mais grotescas nesse catálogo de alucinações e tormentos em forma de livro. Dante era um acérrimo defensor da obra de Bertran de Born, mas condenou-o à danação eterna porque ele tinha aconselhado o príncipe Henrique a revoltar-se contra o seu pai, o rei Henrique II, e como de Born fomentou a separação entre pai e filho e os converteu em inimigos, o engenhoso castigo de Dante consistiu em separar o poeta de si mesmo. Daí o corpo decapitado que chora a sua sorte enquanto caminha pelas regiões infernais e que pergunta ao viajante florentino se haverá algum sofrimento mais terrível do que o seu."

...eólicas versus d. quixote...

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

... a neve...


...soon...

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

...receita de bolo rei...


Ingredientes (para 6 pessoas):
200g açúcar
750g farinha
1 fava
30g fermento de padeiro
175g frutas cristalizadas
250g frutos secos
raspas de laranja q.b.
raspas limão q.b.
150g margarina
1 colher de sobremesa sal
4 ovos
1 dl. vinho do Porto

Preparação:
Depois de retirar as sementes que possam haver, pique as frutas e deixe-as a macerar com o vinho do Porto (deixe algumas inteiras para enfeitar). Dissolva o fermento de padeiro em 1 decilitro de água morna, junte a 1 chávena de farinha e deixe a levedar em lugar não muito frio durante 15m. Entretanto, bata a margarina, o açúcar, e as raspas de limão e laranja, junte os ovos (batendo um a um), e o fermento. Quando tudo estiver bem ligado adicione o resto da farinha e o sal. Amasse até que a massa fique elástica e macia e junte as frutas, misturando muito bem. Molde a massa numa bola, polvilhe com farinha e tape a massa com um pano, deixando levedar num ambiente não muito frio durante 5 horas. Depois da massa ter duplicado de volume, coloque-a sobre um tabuleiro e faça-lhe um buraco no meio. Introduza um brinde (bem embrulhado em papel vegetal) e 1 fava, e deixe levedar mais uma hora. Pincele o bolo com gema de ovo, enfeite com frutas cristalizadas inteiras, torrões de açúcar, pinhões, nozes, etc., e leve a cozer em forno bem quente. Depois de cozido pincele o bolo-rei com geleia diluída num pouco de água quente.

...depressa e bem...

...the brooklyn follies...

"Auster é um excelente contador de histórias e, em cada livro que escreve, não é nada usurário: conta-nos sempre muitas histórias.
Neste “The Brooklyn Follies”, o narrador, Nathan, é um ex-angariador de seguros, quase a fazer 60 anos, que se reforma antecipadamente por sofrer de cancro do pulmão, sem nunca ter fumado. Como Auster é fumador, percebe-se a ironia. Nat conta-nos inúmeras histórias, ao longo das quase trezentas páginas deste livro: a sua própria história, como ele acaba por vencer o cancro, como se entretém a escrever um livro, nas horas vagas, e como quase que morre de um ataque cardíaco, que afinal era uma esofagite; do seu sobrinho Tom, que tinha um brilhante futuro académico, mas acabou por se tornar taxista em Manhattan, depois, empregado num alfarrabista e, finalmente, milionário; da sua sobrinha Aurora, mãe solteira, com uma vida desregrada, cheia de namorados de ocasião, álcool e drogas, que acaba por aderir a uma daquelas igrejas cristãs fundamentalistas; de Harry, o alfarrabista, ex-presidiário, homossexual e sempre a arranjar esquemas para ganhar dinheiro com falsificações, etc, etc.
Quando acabamos de ler este livro, sentimo-nos bem, por dentro. A vida é, de facto, feita destas pequenas coisas: coisas boas e coisas más, que nos vão acontecendo; algumas delas, acontecem-nos porque nós fazemos por isso mas, a maior parte dessas coisas, simplesmente acontecem, por acaso. E o nosso papel, parece-me, é tentar domar esses acontecimentos e fazer com que eles, por mais estranhos e desesperados que sejam, acabem por nos favorecer.
"

sábado, 12 de Dezembro de 2009


"Monterey, cidade de 26.000 habitantes na época, situada a 160 km ao sul de San Francisco, Califórnia, foi o local escolhido para o 1º mega festival de rock da história, inspirado nos festivais de jazz que aconteciam desde 1958 e que atraia nomes como Billie Holiday e Modern Jazz Quartet. Aconteceu entre os dias 16 a 18 de junho de 1967, em pleno Verão do Amor, e que atraiu um público de 200.000 pessoas, o dobro da expectativa, sendo que 60.000 pessoas compareceram ao festival, um dos principais eventos do Movimento Hippie, que teve seu pico no Festival de Woodstock, em 1969, na costa leste dos EUA.
1967 foi o ano em que o Rock Psicadélico dominou o mundo. E quando se fala em estética psicadélica, fala-se do Movimento Hippie. O auge desse estilo aconteceu com o Sgt. Pepper’s (Beatles, 1 de junho de 1967, 15 dias antes do início do festival), que foi o 1º álbum conceitual top 1 no mundo; o Pinky Floyd com “The Pipper at the Gates of Dawn” (1967); o Jefferson Airplane que lançou “Surrealistic Pillow” e ainda, Merry Pranksters, Jimi Hendrix Experience, Janis Joplin, The Doors. Essa fase musical está associada à cultura oriental, música clássica indiana, drogas (principalmente Cannabis e LSD), até Música Concreta (Kalr-Heinz Stockhausen). Esses componentes influenciaram Beatles (v. “Norwegian Wood”, para o Rubber Soul de 1965 e “Tomorrow Never Knows”, para o Revolver, de 1966), The Rolling Stones “(Paint it Black”, 1966), Frank Zappa and The Mothers of Invention (Freak Out), Pinky Floyd e Grateful Dead (Anthem of the Sun). Por falar em Grateful Dead, consta que quando ainda tinham um perfil folk, foram os primeiros a dar um passo na direcção da psicadelia com o nome Mother McCue’s Uptown Jug Champions, em San Francisco. Com influência de Beatles e Byrds, trocaram os instrumentos acústicos pelos elétricos em 1965, e mudaram o nome para Warlocks. Depois disso encontraram os Merry Pranksters e Ken Kesey, um ícone da geração hippie, em novembro de 1965 e em dezembro de 1965 mudaram o nome para Grateful Dead. A primeira banda a utilizar o termo ‘psicadélico’ na música pop foi também uma banda folk, The Holy Modal Rounders, em 1964, com “Hesitation Blues”. No rock, os primeiros foram a banda 13th Floor Elevators, e The Deep, com o álbum “Psychedelic Moods” em setembro de 1966. Depois vieram “Psychedelic Lollypop” do Blues Magoos, banda da Califórnia, e “The Psychedelic Sounds of 13th Floor Elevators”. Os primeiros a tocarem sob o efeito de LSD foram The Charlatans, banda de San Francisco, em 29 de junho de 1965, no Red Dog Saloon, em Virginia City, Nevada, USA. E os primeiros a mencionarem o LSD foram os The Fugs em “I Coudn’t Get High”. O primeiro single psicadélico foi “Sunshine Superman“ , do Donovan, também de 1965.
Barco e montanha, Peter Max
Apesar de que a maioria dos que entraram não tivesse convite, o festival teve uma arrecadação de US$ 200.000, destinados a instituições beneficientes. Contribuiu para isso o facto de que todos os artistas tocaram de graça, com excepção de Ravi Shankar, porque já havia sido contratado antes ainda de decidirem tornar o festival beneficiente. No espírito de paz e amor, tudo decorreu sem problemas durante os 3 dias que durou, com boa organização, comida e bebida e acomodações para todos. O The Monterey Internacional Pop Festival foi organizado por John Phillips, dos Mamas and the Papas, pelo produtor da banda Lou Adler e um quadro de organizadores formado por Mick Jaegger, Paul MacCartney, Brian Wilson, Donovan, Roger McGuinn (The Byrds), Paul Simon, Johnny Rivers, Alan Pariger e Derek Taylor. Um dos factores que garantiu o alto astral é que a segurança do evento foi feita por hippies da comunidade. Segundo McGuinn, a principal lembrança de Monterey “…foi a felicidade e a comunhão. Foram 3 dias incríveis, o público misturado com os artistas, além da música. Hendrix, Janis, Otis, meu Deus, foi incrível”. Na mesma entrevista diz que foi Paul MacCartney quem insistiu para que Hendrix tocasse no festival “vocês precisam vêlo ao vivo. Ele é selvagem”. Foi em Monterey que foram revelados Jimi Hendrix e Janis Joplin, a ainda desconhecida vocalista da banda Big Brother & The Holding Company. Tocaram, pela ordem :
16 de junho – The Association ; The Paupers (banda canadense) ; Lou Rawls ; Beverly ; Johnny Rivers; The Animals ; Simon & Garfunkel
17 de junho – Canned Heat ; Janis Joplin com Big Brother & The Holding Company ;
Country Joe & The Fish ; Al Kooper ; The Butterfield Blues Band ; The Eletric Flag ; QuickSilver Messenger Service ; Steve Muller Band ; Moby Grape ; Hugh Masekele ; The Byrds ; Laura Nyro ; Jefferson Airplane ; Booker T & The MG’s ; Otis Redding
18 de junho – Ravi Shankar ; The Blues Project ; Big Brother & The Holding Company ; Jimi Jendrix Experience ; The Group With No Name ; Buffalo Springfield ; Scott McKenzie ; The Who ; Grateful Dead ; The Mamas & The Papas. Jimi Hendrix
As grandes ausências obviamente foram os Beatles (havia rumores de que fariam apresentação relâmpago, logo desmentidos. Ainda estavam ressabiados por causa dos problemas enfrentados em 1966, por conta da reacção à entrevista do Lennon); os Rolling Stones (por causa da prisão por drogas do Mick Jagger e do Keith Richards), e Bob Dylan, que havia sofrido um acidente de moto. Também foram convidados e não compareceram, os Beach Boys, Captain Beefheart & The Magic Band, The Kinks, Donovan (ambos por não conseguirem vistos para entrar nos EUA) e o Cream, porque o Eric Clapton pretendia estrear o Cream em grande estilo. Mas mesmo com as performances arrasadoras de Hendrix com o Experience, quando ateou fogo na guitarra ( a 1ª guitarra – Fender Stratocaster 1965 – incendiada do J. Hendrix aconteceu em março de 1967, no Finsbury Astoria, Londres, e foi leiloada em 4 de setembro de 2008, em Londres, por US$ 470.000) ao final de “Wild Thing” (dos Troggs); do Who com a quebradeira de Pete Townshend; dos hinos “Somebody to Love” (Jefferson Airplane) e “San Francisco” (Scott McKenzie), consta que quem incendiou mesmo a platéia foi Otis Redding (que substituiu os Beach Boys a poucos dias do festival começar), com interpretações maravilhosas de “Shake”, “Satisfaction”, “Respect” e “Try a Little Tenderness”, acompanhado pelo lendário guitarrista Steve Cropper e a banda Booker T. & The MG’s. Como disse Brian Jones, dos Rolling Stones (abaixo, com Nico, do Velvet Underground, no Monterey Pop), em lágrimas, após a apresentação de Otis : “Nem por 1 milhão de dólares subo no palco depois de um show de Otis Redding”.
Poucos meses depois, em 10 de dezembro de 1967, Otis com apenas 26 anos, morreria em acidente aéreo, quando o avião em que viajava caiu no Wisconsin. E Brian, 2 anos depois, em condições misteriosas.
O clima do festival era tão bom, que o chefe de polícia de Monterey, Frank Marinello, dispensou metade do efetivo policial antes do evento terminar. Afirmou nunca ter visto multidão tão pacífica. De certa forma, Monterey foi o balão de ensaio de todos os festivais e megashows que aconteceram desde então, embora nenhum com sua magia, e também porque introduziu no programa possibilidades mais abrangentes ao convidar artistas de culturas desconhecidas e diferentes (Ravi Shankar, da India, que já havia gravado com os Beatles, e Hugh Masekela, da Africa do Sul), o que se chama hoje de “world music”. Uma boa definição do que ocorreu foi dada pelo jornalista Stephen K. Peeles, que disse : “Foi a colisão do ’stablishment’ corrupto com a contracultura emergente, sem feridos”. A frase impressa nos convites dizia : “Use flores, seja feliz, traga sinos. Teremos um festival”.
"

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

...invisível...la seducción de paul auster...

El punto álgido de la última novela de Paul Auster es una historia de amor prohibido. Si mi memoria no falla, el autor de El palacio de la Luna nunca se ha prodigado en descripciones tan eróticas como las que consuman el orgásmico incesto que está en el corazón de esta alambicada y estupenda Invisible. El mejor Auster es el que nos cuela los requiebros narrativos más implausibles con pasmosa naturalidad, a partir de una prosa cuidadosamente simple, que no complica gramáticas porque lo que pretende es que la sorpresa se vuelva verosímil. La crónica de un duelo riguroso, escrita desde una conmovedora empatía, hace creíble la ruptura del tabú que revoluciona toda la novela, y que se convertirá en la apuesta de un autor que llevaba demasiado tiempo repitiéndose.
No se equivoquen: no ha traicionado su mundo. Sabemos que a Auster le preocupa el papel del escritor --de sí mismo-- en el destino de los personajes. Por eso tiene predisposición a inventar protagonistas que son, de alguna manera, Austers posibles: Adam Walker hace un trabajo mecánico y desagradecido (clasifica libros en una biblioteca) como Auster fue marino en un petrolero; Walker podría haberse convertido en un novelista tan laureado como su creador si una noche no se hubiera encontrado con un chico negro que quiso atracarlo y no hubiera ido acompañado de un diablo vestido de blanco con la navaja fácil y la lengua bífida. No importa que ese atraco, como el incesto, pueda ser falso: lo importante es que Walker lo incorpora a su particular autobiografía porque sabe que todo lo que se cuenta, lo que se escribe, es al final ficción, y que solo la ficción puede redimirle.
Es inevitable que una novela que habla sobre el poder de la seducción --del mismo modo que Walker cae en las redes de una pareja de peligrosos diletantes, a la manera de El placer de los extraños de Ian McEwan, el lector se siente atrapado en las redes de Walker-- hable sobre literatura.
EL LECTOR, EN EL CENTRO Auster siempre ha tendido a la metaficción, y en este caso tiene la feliz ocurrencia de incluir al lector en el centro del relato, de hacerlo responsable de terminar la novela que Walker no ha podido acabar. Es una idea preciosa, que demuestra hasta qué punto lo que ha puesto en práctica Walker hasta entonces es la invención del yo, ese "invisible", esa ausencia que todo verdadero artista intenta plasmar en una "imagen-fantasma" que es huidiza y persistente al mismo tiempo.
Jim, uno de los narradores de Invisible, encuentra las notas que ha tomado Walker para terminar la tercera parte de su novela póstuma, titulada Otoño. "En las tres últimas páginas, el derrumbe es casi total", escribe. "Walker siente cómo se le va escapando la vida, y pese a todo sigue adelante como puede, sentándose frente al ordenador por última vez para llevar la historia a buen término". Auster coloca a un fantasma delante del teclado, un fantasma que se agarra al arte de narrar como si fuera el único combustible que le salva de la disolución final. Lo invisible es la muerte, y la muerte, en esta notable novela de Auster, escribe por nosotros.
aqui

...teatro das beiras...


...sócrates vs vara...

extraído de

extraído de - www.carpinteira.blogspot.com/

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

...mahmoud darwish...


'IL NOUS MANQUAIT UN PRESENT'
Partons tels que nous sommes
Une dame libre
Et son ami fidèle
Partons ensemble dans deux chemins
Partons tels que nous sommes, unis
Et séparés
Rien ne nous fait mal
Ni le divorce des colombes
Ni le vent autour de l’église...
Ou le froid au creux des mains
Les amandiers n’ont pas assez fleuri
Souris et ils fleuriront encore
Entre les papillons de tes fossettes
Sous peu nous aurons un autre présent
Retourne-toi, tu ne verras
Qu’exil, derrière toi
Ta chambre à coucher
Le saule de la place
Le fleuve derrière les immeubles de verre
Et le café de nos rendez-vous... tous, tous
Prêts à se muer en exil
Soyons donc bons!
Partons, tels que nous sommes
Une femme libre
Et son ami fidèle
Partons tels que nous sommes
De Babylone, nous sommes venus
Avec le vent
Et vers Babylone, nous marchons...
Mon voyage n’était pas suffisant
Pour que, sur ma trace, les pins
Se changent en mots de louanges du lieu méridional
Nous sommes bons ici. Vent du nord
Notre vent, et méridionales, les chansons
Suis-je une autre toi?
Et toi, un autre moi?
Ce n’est pas mon chemin à la terre de ma liberté
Mon chemin à mon corps
Et moi, je ne serai pas moi à deux fois
Maintenant que mon passé a pris la place de mon lendemain
Que je me suis scindée en deux femmes
Je ne suis ni orientale
Ni occidentale
Et je ne suis pas un olivier qui a ombragé deux versets
Partons donc
"Pas de solutions collectives aux obsessions personnelles"
Il ne suffisait pas d’être ensemble
Pour être ensemble...
Il nous manquait un présent pour voir
Où nous étions. Partons tels que nous sommes
Une femme libre
Et son vieil ami
Partons ensemble dans deux chemins
Partons ensemble
Et soyons bons...

...babe ruth...

...elegia indo para o leito...


Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda, quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu anjo, és como o céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.
Deixa que a minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.
John Donne

...to shoot an elephant"

"...afterwards, of course, there were endless discussions about the shooting of the elephant. The owner was furious, but he was only an Indian and could do nothing. Besides, legally I had done the right thing, for a mad elephant has to be killed, like a mad dog, if it's owner fails to control it".
George Orwell defined a way of witnessing Asia that still remains valid. "To shoot an elephant" is an eye witness account from The Gaza Strip. December 27th, 2008, Operation Cast Lead. 21 days shooting elephants. Urgent, insomniac, dirty, shuddering images from the only foreigners who decided and managed to stay embedded inside Gaza strip ambulances, with Palestinian civilians.
" aqui

... a ligeireza com que se despe o sentido da coisa...

Hoje recebi um mail da AMI-Covilhã a convidar para participar numa vigília com velas, para assinalar o dia de acção internacional acerca da alteração climática, invocando a mensagem : «O Mundo Quer Um Tratado A Valer» : um tratado suficientemente forte para afastar a perigosa alteração climática.
Muito bem, e a causa é NOBRE...
Porém no respectivo convite vinha a seguinte afirmação, como forma de mobilização das massas: "Precisamos de muita gente para que resulte. "Vai ser divertido, rápido e super fácil."
EH PÁ!!! Divertido? Rápido? Super fácil?... as palavras causam-me estranheza, assaltou-me a mente a ideia "anda daí que isto vai uma festa, até bebemos uns copos e conversamos com os amigos, só temos de ter uma vela acesa na mão!"...
Jamais me ocorreria o divertido, a sangue-frio e tendo consciência do que aqui está em causa, nem no desespero da mobilização, tantas outras palavras, mais adequadas, me ocorrem numa situação desta gravidade, mas pronto os tempos mudam e eu devo estar a ficar velha, a idade dificulta a adaptação... já há quem se divirta com estas coisas, EU NÃO!!!